Diloagenda a falar

O teu primeiro dia com o Dilo, num minuto

Seis frases ditas em voz alta enchem uma jornada inteira. O difícil não é dizê-las: é a ordem. Este é o método que funciona logo no primeiro dia, e os três erros que quase toda a gente comete.

O minuto, passo a passo

A regra que governa tudo o resto: do que não se mexe para o que se mexe. Se começares pelo flexível, o rígido não cabe depois e tens de refazer tudo.

  1. O que não se mexe Reuniões, aulas, o almoço, ir buscar alguém. São as paredes do dia: não és tu que as escolhes e colocam tudo o resto. Di-las seguidas, sem pensar. reunião das 11 às 12→ a primeira parede almoço das 2 às 3 da tarde→ a segunda parede
  2. A coisa importante, na tua melhor faixa Escolhe uma tarefa: aquela que faz o dia ter valido a pena. Dá-lhe entre 60 e 90 minutos e põe-na onde rendes melhor. Se ainda não sabes qual é a tua melhor faixa, põe-na o mais cedo que conseguires; em duas semanas as estatísticas dizem-te. das 9 às 10 e meia, escrever a proposta→ o bloco que importa
  3. Tudo o que é pequeno, num só bloco Os e-mails, os telefonemas, os recados e as respostas não merecem um bloco cada um: comem-te a agenda e obrigam-te a olhar para o telemóvel doze vezes. Vão juntos, com nome de conjunto e meia hora. das 4 às 4 e meia, e-mails e telefonemas→ um só bloco para dez tarefas
  4. Uma só tarefa adiada Aqui está o coração da coisa. Pega em uma — só uma — dessas coisas que andas há semanas a arrastar e dá-lhe quinze minutos com hora exata. Quinze, não uma hora: o objetivo do primeiro dia não é despachá-la, é provares a ti próprio que tem lugar. das 5 às 5 e um quarto, ligar para o banco→ a que estava na lista há três semanas
  5. Olha para os espaços Os espaços livres saem etiquetados com as horas que têm: «2 h livres». Se não te sobrar nem um, não planeaste o dia: planeaste um dia que não existe. Tira alguma coisa agora, que a frio é fácil e às sete da tarde dói.
  6. Fecha cada bloco quando tocar Concluir, remarcar ou cancelar. Um toque. Isto é a única coisa que não podes saltar: sem os fechos, daqui a um mês tens uma agenda bonita e zero informação sobre ti.

Regra da primeira semana

Quatro blocos por dia, nem mais um. Toda a gente começa a agendar doze e desiste na quinta-feira. Quatro blocos que cumpres ensinam mais do que doze que falhas, porque a informação que procuras está nos fechos, não nas intenções.

Um dia completo de exemplo

Isto é literalmente o que dirias, por ordem, em uns cinquenta segundos:

amanhã das 9 às 10 e meia, escrever a proposta amanhã das 11 às 12, reunião de equipa amanhã das 2 às 3 da tarde, almoçar amanhã das 4 às 4 e meia, e-mails e telefonemas amanhã das 5 às 5 e um quarto, ligar para o banco amanhã das 7 às 8 da tarde, academia

Seis blocos, cinco horas e um quarto ocupadas, e o resto do dia visível como espaços com nome. Repara no que não há: nem um único ecrã de configuração, nem um seletor de hora, nem uma decisão sobre prioridades ou etiquetas.

Se a academia for todos os dias, a última frase diz-se uma vez e pronto: todos os dias das 7 às 8 da tarde, academia

Os três erros de principiante

1. Agendar o dia perfeito em vez do dia provável

No primeiro dia quase toda a gente agenda a versão heroica de si própria: nove blocos encadeados sem um minuto morto entre eles. Esse dia nunca chega, e quando às onze da manhã já vais atrasado, a reação não é ajustar: é fechar a app.

A correção é contraintuitiva: agenda menos do que achas que consegues. Um dia com quatro blocos cumpridos e três espaços vazios é um sucesso. Um dia com dez blocos e seis cancelamentos é a razão pela qual já abandonaste outras quatro apps.

2. Colar os blocos uns aos outros

Se a reunião acaba às 12:00 e o bloco seguinte começa às 12:00, esse bloco já nasce atrasado. As coisas esticam-se, tens de ir à casa de banho, alguém te para no corredor. Deixa dez ou quinze minutos entre blocos. Não são minutos perdidos: são os que evitam que um atraso das onze contamine o dia inteiro.

3. Pôr nomes abstratos

«Projeto». «Casa». «Estudar». Quando chegar a hora vais ter de decidir o que isso significa, e decidir é exatamente o que estavas a evitar ao agendar.

Em vez de dizer…Diz…
EstudarRever o tema 4 de direito
CasaPôr a máquina e estender a roupa
ProjetoEscrever a introdução da proposta
PapeladaPreencher o formulário das finanças

Um bom título de bloco passa um teste simples: ao lê-lo sabes se está feito ou não. «Estudar» nunca está feito. «Rever o tema 4» está.

Porque é melhor fazê-lo na véspera

Podes planear de manhã e funciona. Mas a véspera funciona melhor, por três motivos concretos:

A frase para isto é tão simples como soa: dizes «amanhã das…» e tudo se coloca no dia seguinte. Há uma rotina inteira montada à volta disto no artigo dos hábitos.

O que esperar na primeira semana

Para não te apanhar de surpresa, isto é o que normalmente acontece:

Um aviso sobre o ponto mais importante: não ajustes a expectativa para que bata certo com o que fizeste. Se puseste uma hora para alguma coisa e demoraste duas, o dado útil é que demoras duas. Baixar a exigência até tudo ficar verde esvazia o sistema de sentido, e depois só tens uma lista de tarefas com cores.

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